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FRAÇÕES DO COTIDIANO

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(...) Bem, o fato é que nos acostumamos fácil e rapidamente com as imagens que fazem parte do nosso cotidiano. Por isso não conseguimos realmente ver (perceber) a riqueza de detalhes a nossa volta. Preste mais atenção num rosto que já lhe é familiar e verá que novos detalhes e novas imagens estarão se criando ali. Entre as rugas, os cabelos, os gestos ou ainda entre cada luz que entra e incide em cada um dos lados, verá cenas que sempre estiveram ali mas não faziam parte da sua percepção.

 

 

 

 

 

 

 

Este é o principal ponto do ensaio "Frações do cotidiano", mostrar que a partir de coisas simples e já tão conhecidas, como a árvore por exemplo (vemos árvores todos os dias, não?) é possível ver algo de novo.
Basta tentar um ângulo diferente. Basta chegar mais perto. Basta observar! E se conseguir ver novas imagens em imagens já conhecidas, verá muito mais quando for apresentado a lugares e pessoas que ainda não fazem parte do conhecido. Estará totalmente livre para ver.
O ensaio mostra uma série de cenas que foram captadas dessa forma. Entre cenas cotidianas e novas, tento mostrar formas diferentes de se ver o que está a minha volta. E mesmo ciente de que muitas vezes estou captando uma imagem que foge das regras do olhar, quando revelo o filme ainda fico surpreso com as formas e detalhes de cada uma. E fico surpreso também com o choque que essas imagens causam para quem as vê. São simples, estranhas, e o melhor: são reais. São pequenas frações do cotidiano.
 
   
   

 

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